Pela humanização da Educação

Há dois anos tornei-me educador. Não o verdadeiro educador, aquele que se forma, exerce a condição de profissional da educação e vive constantemente a realidade de uma unidade de ensino. Sou um educador conscientizado. Que entende a importância da educação e o papel do professor no processo de formação do ser humano. Conviver com educadores tem sido minha melhor experiência . E por isso mesmo constatei o quão importante a educação precisa e deve ser tratada de forma diferenciada por parte de nossos representantes e até mesmo pela sociedade.

Educar é relacionar. É a invejável capacidade de criar um ambiente, uma situação, um canal de comunicação por onde se possa levar a informação a ser transmitida, assimilada. Realizar este ato (jamais ofício!) requer uma experiência, um cuidado e uma EDUCAÇÂO especial. Como levar ao sempre famoso “Pedrinho” a necessidade de conscientização do lixo, quando ele mesmo não possui uma lixeira na rua, uma rede de saneamento ou outra necessidade básica? O educador-professor vai buscar um meio. E encontra. E esse é o seu diferencial. Existe uma relação pessoal, íntima e humana desse professor-educador com o seu foco de trabalho. Nesse contexto a Educação necessita ser revista quanto ao seu processo de administração.

Cresci escutando: “Educação é amor e quem opta pelo magistério, opta por amor. E é um dom”. Não é nada disso. São pessoas humanas que por algum motivo especial sabem da importância da educação e querem contribuir de alguma forma. Assim como o médico, o jornalista, o advogado ou muitas outras profissões. Mas acredito ser o educador o mais humano dos profissionais. Por isso mesmo não concordo que todo o processo de gestão da Educação tenha que ser moldada de forma administrativa. Acredito na humanização da Educação.
Democratizando ainda mais, oferecendo condições realmente satisfatórias à comunidade escolar. Hoje, temos inúmeras iniciativas para uma nova metodologia de ensino. Mas nunca atingem seu público ou meta correspondente por esbarrar justamente na burocracia, na administração e no processo de desumanização da profissão. Ao investir no professor, na escola, no orçamento nas políticas, públicas de ensino devem-se sempre atentar para a questão humana que envolve toda a sua relação, pessoal, logística, econômica, social e profissional existente na comunidade escolar.
Todo e qualquer ponto em que se discute educação sempre é focado no administrativo. Não o desqualifico, pois que o que se administra é organizado. Mas não deve ser a prioridade. Não na educação. Estabelecer relações, constatações reais em cada setor educacional, as relações de seus educadores com a sua unidade escolar, suas necessidades, de seus alunos e gestores. A dos pais dos alunos. E ai sim, depois desse processo de Ciência da Educação, aplicar a correta administração. Sem essa conscientização da humanização, não acredito ser possível atingir a verdadeira e ideal educação. 

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